Coreia do Norte chama presidente sul-coreano de ‘ditador’: ‘Tentou instaurar uma ditadura fascista’

A Coreia do Norte fez sua primeira declaração pública sobre a tentativa fracassada do presidente sul-coreano, Yoon Suk-yeol, de impor a lei marcial, acusando-o de tentar instaurar uma “ditadura fascista” e comparando sua ação a um golpe militar.

Pyongyang afirmou ainda nesta quarta-feira (11) que Yoon mergulhou a Coreia do Sul em um “pandemônio”.

A declaração foi publicada no principal jornal estatal norte-coreano, Rodong Sinmun, e criticava a tentativa de Yoon de tomar o controle da Assembleia Nacional em 3 de dezembro, com o envio de tropas, a propagação de protestos por todo o país e a incerteza política subsequente.

O artigo descreveu a decisão de Yoon como “chocante”, apontando que a ação dele transformou a Coreia do Sul em um “pandemônio” sob o comando de um “fantoche” com “armas e baionetas fascistas”.

Além disso, mencionou a falha dos parlamentares da oposição em destituí-lo, após o Partido do Poder Popular de Yoon boicotar a votação, resultando em uma “cena de protesto”. Contudo, não houve menção sobre como esses eventos poderiam afetar as relações entre as duas Coreias.

Desde a posse de Yoon, em 2022, o relacionamento entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte atingiu seu ponto mais baixo em anos. A Coreia do Norte, sob Kim Jong-un, tem se mostrado cada vez mais hostil ao Sul, criticando as políticas de Yoon e promovendo a ideia de que a reunificação da Península Coreana não é mais um objetivo do regime norte-coreano. Recentemente, a Coreia do Norte enviou balões carregados de lixo para o Sul, enquanto Seul respondeu com propaganda nas fronteiras. Kim Jong-un também declarou que o Norte não hesitaria em usar armas nucleares, se necessário, para subjugar o Sul.

Rodong Sinmun afirmou que os acontecimentos em Seul revelaram a fragilidade da sociedade sul-coreana e que a declaração de lei marcial de Yoon demonstrava um desespero político, prevendo que sua presidência poderia ser breve. O vácuo político no Sul gerou preocupações sobre a prontidão do governo e das Forças Armadas sul-coreanas para lidar com possíveis tensões com o regime norte-coreano.

A oposição sul-coreana planeja tentar o impeachment de Yoon novamente no próximo sábado. Se o impeachment for aprovado, Yoon será suspenso do cargo até que o Tribunal Constitucional decida sobre sua reintegração ou destituição formal. Em caso de destituição, uma nova eleição será convocada para escolher um novo presidente. Yoon, um conservador, tem sido impopular desde que assumiu o cargo. Sua possível destituição aumentaria as chances dos progressistas voltarem ao poder. Progressistas, como o ex-presidente Moon Jae-in, defendem o diálogo e a reconciliação com o Norte, enquanto os conservadores priorizam as sanções e a pressão.

A Constituição da Coreia do Sul permite que o presidente declare a lei marcial em tempos de “guerra, conflito armado ou emergência nacional”, mas concede à Assembleia Nacional o poder de anular esse decreto por maioria. Em entrevista ao The New York Times, Lee Jae-myung, líder do Partido Democrático, afirmou que seu partido discutiu o que fazer caso Yoon provocasse um conflito armado com o Norte, utilizando-o como justificativa para declarar a lei marcial. Ele também destacou que o risco continuaria enquanto Yoon estivesse no poder, embora o presidente tenha declarado que não tomaria essa medida novamente.

O projeto de impeachment rejeitado na semana passada acusava Yoon de antagonizar a Coreia do Norte, China e Rússia, além de criticar sua política em relação ao Japão. Críticos de Yoon apontaram que ele arriscou o orgulho nacional ao melhorar os laços com o Japão, que ocupou a Coreia durante o período colonial. Lee Jae-myung reconheceu que incluir as políticas externas de Yoon no projeto de impeachment foi um erro, prometendo revisar a proposta para remover essas referências.

Gazeta Brasil

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